terça-feira, 10 de julho de 2007

Resenha do texto “A autoria do professor” de Marcos Silva


Com o aporte de teóricos como Mourin e Yves de la Taille, Marcos Silva apóia seu texto em conceitos de interação, interatividade baseados na comunicatividade, e os papéis do professor para que elas de fato ocorram. Interação é um termo mais genérico, enquanto interatividade foca-se, segundo o autor, na “lógica da comunicação, para o novo espectador, e sobretudo para a disposição ao mais comunicacional ao progresso e para o desafio de educar em nosso tempo”. Ele vê esse professor como autor, provocando e disponibilizando a rede de interações. Atenta sobre um erro pedagógico: a mudança de pólo, do professor para o aluno no centro do processo. Essa dicotomia simplificada não condiz com a postura de um professor que preza pela interatividade.
São descritos dois tipos de Pedagogia Interativa. A primeira é baseada no construtivismo e interacionismo de Piaget, Vygotsky e Wallon, enquanto na outra Racle propõe “chaves de uma pedagogia interativa”, em que o professor possa ler os sinais do seu meio para propor novas ações nos planos: racional, artístico, emocional e rítmico, considerando as diferenças individuais em sala de aula. No texto de Laura Ribeiro, o professor é alertado a fazer um “recuo reflexivo”, pensando sobre suas práticas e sobre melhores interações na sala de aula. Um professor- pesquisador, que leve em conta as expressões verbais e não-verbais, os papéis sociais que interferem nas relações, o clima socioemocional da sala, o papel de autoridade do professor, além do já citado papel de pesquisador.
Marcos Silva mostra que esses autores não valorizam devidamente o papel da comunicação. O professor deve estar atento às respostas autônomas, criativas, imprevisíveis dos alunos, assim como em suas intervenções autônomas e criativas, para formar conexões no tratamento dos conteúdos de aprendizagem, de significação para o aluno. Esses conteúdos serão melhor construídos com esse diálogo coletivo livre e plural.Ele cita o parangolé, dizendo que com ele se aprende nas dimensões tecnológica, mercadológica e social, as lógicas da comunicação atual.
O professor, mais do que nunca, para conseguir criar relações de interatividade a efetiva aprendizagem, necessita transitar por papéis/ locais/ conhecimentos multifacetados. Deve procurar utilizar a arte, a expressão corporal, a linguagem, a pesquisa, a intuição, a criatividade em prol de uma aprendizagem lúdica, prazerosa e recorrente.

DE QUE FORMAS A ARTE DIGITAL PODE AUXILIÁ-LO NESSA EMPREITADA?

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Resenha “Dinamizadores da Inteligência Coletiva”- Andréa Cecília Ramal



No texto, a autora explica quais são os dinamizadores da inteligência coletiva. Ela os separa em cinco tópicos: responsável pelo gerenciamento de processos de construção cooperativa do saber; transforma grupos heterogêneos em comunidades inteligentes, autônomas e felizes; integra as múltiplas competências dos estudantes; convida ao diálogo interdisciplinar e intercultural nas pesquisas; promove a comunicação interpessoal por meio da pluralidade de linguagens, levando o prazer do conhecimento para além da sala de aula.
Ela trabalha com a perspectiva da computação como meio de ampliação das capacidades mentais, não como “cérebro eletrônico”. Fala que os softwares devem servir para desenvolver competências e criar autoria de ação e pensamento, não apenas automatizar conteúdos.
É importante refletir sobre o paradoxo trazido pelas tecnologias:o educando parece dominar melhor esses instrumentos simbólicos de poder do que o educador. O professor não consegue acompanhar com propriedade todas as informações que podem ser obtidas pelos estudantes através da tecnologia e, se não propões parcerias para que a aprendizagem seja conjunta, dificilmente consegue atingir os objetivos na sala de aula.
O texto me fez pensar claramente na Escola da Ponte em Portugal. Lá, professores e alunos são companheiros de estudos. Os alunos, auxiliados por docentes, escolhem sua linha de pesquisa, independente da idade e juntos, desenvolvem seus projetos. Como diz Andréa Ramal: “E a competição virou uma cooperação.”, pois eles trocam idéias, informações, experiências, dúvidas, aprendendo com o máximo de produtividade, diversidade, autoria e prazer não só os conteúdos, mas o manejo que é preciso ter na vida fora do estabelecimento de ensino. Nessa escola, a divisão não é por séries, idades, mas por interesses, um ajudando o outro a crescer globalmente.
De que maneiras essas estratégias podem ser usadas pelos professores, considerando que a maioria das escolas brasileiras segue uma pedagogia tradicional?

terça-feira, 10 de abril de 2007

Resenha "Cibercultura"- Lévy



O autor critica o termo “impacto” no contexto tecnológico, já que as tecnologias foram inventadas para e pelo homem, não vieram de outro um outro lugar, frio e impiedoso. Aliás, é o uso intensivo delas que está caracterizando nossa sociedade. As técnicas enfatizam a parte material e artificial dos fenômenos humanos e é impossível dissociar o homem do material, assim como dos artifícios que utiliza para dar sentido ao mundo. Devemos pensar em tecnologia como produto da soceidade e da cultura e, por isso, “humana”.
O autor apóia a nomenclatura “técnicas”, no plural, devido aos múltiplos significados e usos que acarreta. A cibercultura pode favorecer a autonomia, a cognição, a competição econômica, a colaboração entre as pessoas, os Estados que pretendem ser potência e que são ou anseiam pela supremacia militar. É complicado analisar tudo isso, pois a extensão do ciberespaço não é estanque: continua crescendo aceleradamente. Ele traduz, acompanha e favorece a evolução da civilização, condicionando, mas não determinando, certas atitudes, pensamentos, comportamentos e, portanto, não é neutra. A sua rapidez causa um estranhamento a todos, em maior ou menor grau, pois parece vir do exterior, como se houvesse um “outro” ameaçando profissões, crenças, saberes. Por outro lado, quanto mais os processos de inteligência coletiva se desenvolvem, melhor é a assimilação e acomodação das normas técnicas e a troca de informações.
Porém, nem tudo são flores. Há aumento do isolamento; de amizades somente virtuais; de estresse pelo trabalho e pela comunicação diante da tela; da dependência pela Internet e pelos jogos virtuais; de dominação de algumas potências econômicas e tecnológicas como a Microsoft; de exploração, tanto de mão de obra dos países em desenvolvimento quanto às fraudes bancárias, à pedofilia. Também há o crescimento da “bobagem coletiva”, um acúmulo de dados sem qualquer informação útil e a tendência à exclusão das pessoas e serviços que ainda não compreenderam e se apropriaram da cibercultura.
Lendo esse texto, pensei na tese de Gary Marcus, psicólogo da Universidade de Nova York. Segundo ele, na era da Internet, o nosso problema não é que as crianças não acham as informações, mas sim que elas não conseguem analisá-las. Ele começaria com um curso de metacognição, aprendendo como se aprende.
A informação está toda a disposição, para quem quiser lê-la, mas a capacidade de discernimento e de decodificação das letras deve ser bem trabalhada. O professor pode servir de parceiro, de facilitador do entendimento, de provocador dos argumentos. SERÁ QUE O PROFESSOR DEVE APENAS ENSINAR A METACOGNIÇÃO, OU NEM OS PROFESSORES TEM ESSA FUNÇÃO DESENVOLVIDA?

domingo, 18 de março de 2007

Sugestões

Oi, pessoal!!

* Vi Gattaca e achei muito interessante para nós, que lidamos com educação. Vivemos uma época em que a diversidade começa a ser levada em consideração, com a LDB da Educação de 1996. A filosofia escolar começa a ver todas as possibilidades que podem ser melhoradas com pessoas diferentes convivendo e aprendendo em um mesmo espaço, de jeitos e tempos diferentes. É uma educação que começa a prestar atenção no aluno como um todo, com quatro instâncias (no mínimo) que contribuem para sua aprendizagem: o ORGANISMO (citado exaustivamente no filme), o CORPO (subjetivzado), a INTELIGÊNCIA (também valorizado no filme, com os testes quantitativos de Q.I.) e o DESEJO (manifestado no personagem in-válido). Devemos levar em conta tudo isso quando pensarmos em educação, esquecermos os rótulos de "hiperativo", "disléxico", "altas habilidades (superdotado)" e etc. e pensar como um estudante, uma pessoa capaz de aprender como qualquer outra, talvez de jeitos diferentes e em um tempo diferenciado. ótimo filme para ser trabalhado.


* Para quem tem acesso à Donna ZH, da Zero Hora, ou tiver interesse em entrar no site, no jornal de hoje a Martha Medeiros escreveu uma crônica muito boa sobre o computador. O texto intitula-se "Reféns".


* Para quem tem acesso à revista Superinteressante, a edição de Fevereiro, se não me engano, tem uma matéria sobre a história dos blogs.

sábado, 17 de março de 2007

Resenha: "A revolução do texto eletrônico"


Chamou-me atenção no texto o histórico discorrido sobre a escrita e a leitura: as primeiras formas de expressão escrita, as relações entre a escrita fonológica e representativa até o marco da criação do alfabeto. Ele vem como uma redução dos outros tipos lingüísticos, que eram ao mesmo tempo imagens, sinais fonéticos e elementos de classificação lógica, para se reduzir a um veículo de sons. Essa relação entre imagens e letras, pensada rapidamente, pode parecer antagônica quando, na realidade, é complementar, se notarmos que só entendemos as palavras por sabermos as formas específicas dos signos.
Outra abordagem interessante é o fato de um livro continuar o sendo, mesmo não sendo físico, mas estando em uma tela. É a idéia de Mcluhan de que cada tecnologia criada é como um prolongamento do corpo humano tornando-se viável. Chartier cita três aspectos dessa forma de reprodução, inscrição e recepção de textos. O primeiro é que o texto pode ser modificado por outros, sucumbido às decisões do leitor. Isso pode auxiliar na compreensão e nas conexões com outras experiências feitas pelo leitor, como também pode perder-se o verdadeiro autor, a verdadeira fonte e a verdadeira interpretação da produção. O segundo ponto é a simultaneidade na leitura e na transmissão da identidade. Podemos saber no mesmo minuto em que as últimas pesquisas são divulgadas, enquanto se esperássemos pela publicação dos resultados em um livro, teríamos a mesma informação com dois anos de atraso. A última observação do autor é a possibilidade de uma biblioteca universal, seguindo na contemporaneidade a máxima do filósofo da Idade Média Comenius, em “Didáctica Magna”: ensinar tudo a todos. Para isso, é necessária uma democratização da tecnologia e, mais ainda, uma educação digna para que todos experenciem desses múltiplos conhecimentos expostos na rede.
Na realidade, o tema até então não foi discutido imparcialmente, pois cada autor segue suas ideologias e convicções para convencer o leitor se o uso do computador altera ou não na redação de textos e na forma de pensar. Vemos uma nova linguagem sendo construída no meio eletrônico, mais fonológica, pictórica, reduzida. Vemos um novo conjunto de regras da etiqueta social ser criado, como o uso de letra maiúscula significar que o autor está gritando, por exemplo. Esses fatores não podem ser ignorados pelos educadores, nem rechaçados, pois podem servir como ótimo instrumento de conscientização fonológica da escrita culta, além de observatório para a importância dos sinais de pontuação na denotação de intenção e, conseqüentemente, de entonação na leitura.
Creio que a tecnologia não substituirá o bom e velho livro. Pode ser saudosismo meu, mas, para mim, nada substitui o cheiro do livro, as dedicatórias, os autógrafos, a textura do papel. A forma contribui para o sentido, como disse o autor, e consigo criar mais relações quando tenho o texto em minhas mãos, impresso, preferencialmente acompanhado por um lápis para sublinhar e anotar comentários. Posso estar tentando domesticar a inovação por meio do que conheço, mas não sou radical: procuro me acostumar e até interagir com essa nova dinâmica, afinal, somos rodeados de tecnologia.
Você concorda comigo? Ou acredita que, algum dia, o mundo escrito seja majoritariamente virtual?

segunda-feira, 12 de março de 2007

PC para todos!



Primeiro Blog

Esse é o primeiro blog em que escrevo sozinha.
Nunca tive interesse na proposta, ou, pelo menos, na utilização dada pelas pessoas que utilizam essa ferramenta: contar suas vidas em diários virtuais.
Isso não significa que nunca tenha lido blogs: pelo contrário! Penso que é uma ferramenta maravilhosa, principalmente para sanar distâncias. Muitos amigos e familiares estão longe, em outros países, e me sinto mais próxima deles ao ler seus blogs, ver suas fotos postadas e os comentários de outras pessoas tão saudosas quanto eu.
Agora, sigo essa nova via on line para tentar compreender conteúdos discutidos na disciplina da UFRGS Computador na Educação.
Espero conseguir me "virar" por aqui...