segunda-feira, 23 de abril de 2007

Resenha “Dinamizadores da Inteligência Coletiva”- Andréa Cecília Ramal



No texto, a autora explica quais são os dinamizadores da inteligência coletiva. Ela os separa em cinco tópicos: responsável pelo gerenciamento de processos de construção cooperativa do saber; transforma grupos heterogêneos em comunidades inteligentes, autônomas e felizes; integra as múltiplas competências dos estudantes; convida ao diálogo interdisciplinar e intercultural nas pesquisas; promove a comunicação interpessoal por meio da pluralidade de linguagens, levando o prazer do conhecimento para além da sala de aula.
Ela trabalha com a perspectiva da computação como meio de ampliação das capacidades mentais, não como “cérebro eletrônico”. Fala que os softwares devem servir para desenvolver competências e criar autoria de ação e pensamento, não apenas automatizar conteúdos.
É importante refletir sobre o paradoxo trazido pelas tecnologias:o educando parece dominar melhor esses instrumentos simbólicos de poder do que o educador. O professor não consegue acompanhar com propriedade todas as informações que podem ser obtidas pelos estudantes através da tecnologia e, se não propões parcerias para que a aprendizagem seja conjunta, dificilmente consegue atingir os objetivos na sala de aula.
O texto me fez pensar claramente na Escola da Ponte em Portugal. Lá, professores e alunos são companheiros de estudos. Os alunos, auxiliados por docentes, escolhem sua linha de pesquisa, independente da idade e juntos, desenvolvem seus projetos. Como diz Andréa Ramal: “E a competição virou uma cooperação.”, pois eles trocam idéias, informações, experiências, dúvidas, aprendendo com o máximo de produtividade, diversidade, autoria e prazer não só os conteúdos, mas o manejo que é preciso ter na vida fora do estabelecimento de ensino. Nessa escola, a divisão não é por séries, idades, mas por interesses, um ajudando o outro a crescer globalmente.
De que maneiras essas estratégias podem ser usadas pelos professores, considerando que a maioria das escolas brasileiras segue uma pedagogia tradicional?

terça-feira, 10 de abril de 2007

Resenha "Cibercultura"- Lévy



O autor critica o termo “impacto” no contexto tecnológico, já que as tecnologias foram inventadas para e pelo homem, não vieram de outro um outro lugar, frio e impiedoso. Aliás, é o uso intensivo delas que está caracterizando nossa sociedade. As técnicas enfatizam a parte material e artificial dos fenômenos humanos e é impossível dissociar o homem do material, assim como dos artifícios que utiliza para dar sentido ao mundo. Devemos pensar em tecnologia como produto da soceidade e da cultura e, por isso, “humana”.
O autor apóia a nomenclatura “técnicas”, no plural, devido aos múltiplos significados e usos que acarreta. A cibercultura pode favorecer a autonomia, a cognição, a competição econômica, a colaboração entre as pessoas, os Estados que pretendem ser potência e que são ou anseiam pela supremacia militar. É complicado analisar tudo isso, pois a extensão do ciberespaço não é estanque: continua crescendo aceleradamente. Ele traduz, acompanha e favorece a evolução da civilização, condicionando, mas não determinando, certas atitudes, pensamentos, comportamentos e, portanto, não é neutra. A sua rapidez causa um estranhamento a todos, em maior ou menor grau, pois parece vir do exterior, como se houvesse um “outro” ameaçando profissões, crenças, saberes. Por outro lado, quanto mais os processos de inteligência coletiva se desenvolvem, melhor é a assimilação e acomodação das normas técnicas e a troca de informações.
Porém, nem tudo são flores. Há aumento do isolamento; de amizades somente virtuais; de estresse pelo trabalho e pela comunicação diante da tela; da dependência pela Internet e pelos jogos virtuais; de dominação de algumas potências econômicas e tecnológicas como a Microsoft; de exploração, tanto de mão de obra dos países em desenvolvimento quanto às fraudes bancárias, à pedofilia. Também há o crescimento da “bobagem coletiva”, um acúmulo de dados sem qualquer informação útil e a tendência à exclusão das pessoas e serviços que ainda não compreenderam e se apropriaram da cibercultura.
Lendo esse texto, pensei na tese de Gary Marcus, psicólogo da Universidade de Nova York. Segundo ele, na era da Internet, o nosso problema não é que as crianças não acham as informações, mas sim que elas não conseguem analisá-las. Ele começaria com um curso de metacognição, aprendendo como se aprende.
A informação está toda a disposição, para quem quiser lê-la, mas a capacidade de discernimento e de decodificação das letras deve ser bem trabalhada. O professor pode servir de parceiro, de facilitador do entendimento, de provocador dos argumentos. SERÁ QUE O PROFESSOR DEVE APENAS ENSINAR A METACOGNIÇÃO, OU NEM OS PROFESSORES TEM ESSA FUNÇÃO DESENVOLVIDA?