
Chamou-me atenção no texto o histórico discorrido sobre a escrita e a leitura: as primeiras formas de expressão escrita, as relações entre a escrita fonológica e representativa até o marco da criação do alfabeto. Ele vem como uma redução dos outros tipos lingüísticos, que eram ao mesmo tempo imagens, sinais fonéticos e elementos de classificação lógica, para se reduzir a um veículo de sons. Essa relação entre imagens e letras, pensada rapidamente, pode parecer antagônica quando, na realidade, é complementar, se notarmos que só entendemos as palavras por sabermos as formas específicas dos signos.
Outra abordagem interessante é o fato de um livro continuar o sendo, mesmo não sendo físico, mas estando em uma tela. É a idéia de Mcluhan de que cada tecnologia criada é como um prolongamento do corpo humano tornando-se viável. Chartier cita três aspectos dessa forma de reprodução, inscrição e recepção de textos. O primeiro é que o texto pode ser modificado por outros, sucumbido às decisões do leitor. Isso pode auxiliar na compreensão e nas conexões com outras experiências feitas pelo leitor, como também pode perder-se o verdadeiro autor, a verdadeira fonte e a verdadeira interpretação da produção. O segundo ponto é a simultaneidade na leitura e na transmissão da identidade. Podemos saber no mesmo minuto em que as últimas pesquisas são divulgadas, enquanto se esperássemos pela publicação dos resultados em um livro, teríamos a mesma informação com dois anos de atraso. A última observação do autor é a possibilidade de uma biblioteca universal, seguindo na contemporaneidade a máxima do filósofo da Idade Média Comenius, em “Didáctica Magna”: ensinar tudo a todos. Para isso, é necessária uma democratização da tecnologia e, mais ainda, uma educação digna para que todos experenciem desses múltiplos conhecimentos expostos na rede.
Na realidade, o tema até então não foi discutido imparcialmente, pois cada autor segue suas ideologias e convicções para convencer o leitor se o uso do computador altera ou não na redação de textos e na forma de pensar. Vemos uma nova linguagem sendo construída no meio eletrônico, mais fonológica, pictórica, reduzida. Vemos um novo conjunto de regras da etiqueta social ser criado, como o uso de letra maiúscula significar que o autor está gritando, por exemplo. Esses fatores não podem ser ignorados pelos educadores, nem rechaçados, pois podem servir como ótimo instrumento de conscientização fonológica da escrita culta, além de observatório para a importância dos sinais de pontuação na denotação de intenção e, conseqüentemente, de entonação na leitura.
Creio que a tecnologia não substituirá o bom e velho livro. Pode ser saudosismo meu, mas, para mim, nada substitui o cheiro do livro, as dedicatórias, os autógrafos, a textura do papel. A forma contribui para o sentido, como disse o autor, e consigo criar mais relações quando tenho o texto em minhas mãos, impresso, preferencialmente acompanhado por um lápis para sublinhar e anotar comentários. Posso estar tentando domesticar a inovação por meio do que conheço, mas não sou radical: procuro me acostumar e até interagir com essa nova dinâmica, afinal, somos rodeados de tecnologia.
Você concorda comigo? Ou acredita que, algum dia, o mundo escrito seja majoritariamente virtual?
4 comentários:
Carolina,
Concordo contigo de que o livro é um dos meios de comunicação mais completos e mais ricos que existe. Porém penso que num futuro bem próximo ele pode cair em desuso, assim como as pinturas rupestres, os pergaminhos, etc. A forma de comunicação do ser humano evolui a medida que a técnologia se aperfeiçoa. E por mais que façamos questão de ler um texto impresso para poder grifá-lo com caneta fosforecente, nossos alunos exigirão aulas informatizadas e tema de casa 'on-line'.
Camila Camargo Prates.
Talvez eu seja saudosista como tu, ainda preciso imprimir um textro para poder compreendê-lo melhor, não consigo ler na tela, mas provavelmente como tantas coisas, as novas gerações acostumas a ler desta forma tenham outra perspectiva,como diz no texto, poderão escrever ou grifar diretamente na tela, e isso será tão banal para eles como é para n´so fazer-mos isso na folha impressa. Só o próprio tempo nos dirá...
Apesar de considerar um prazer pegar um bom livro, sentar numa sombra e ficar degustando cada palavra, creio que devido a praticidade e o custo que o texto eletrônico fornecem, a tendência e cada vez mais nos voltarmos para essa nova forma de leitura. É claro que para a nossa geração (atingida por essa abrupta transição) ainda há de penar muito até se acostumar, mas vamos convir que é muito melhor carregarmos um texto eletrônico que um livro de 1000 páginas na mochila!
Carolina
Concordo com você quando diz que "nada substitui o cheiro do livro", mas não podemos deixar de levar em consideração que esse pode ao longo do tempo e com a modernidade sair de circulação, porém acredito que isso vai trazer grandes beneficios para a humanidade, assim como um dia o nosso bom e velho livro touxe..
Elaine Lacerda
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