
O autor critica o termo “impacto” no contexto tecnológico, já que as tecnologias foram inventadas para e pelo homem, não vieram de outro um outro lugar, frio e impiedoso. Aliás, é o uso intensivo delas que está caracterizando nossa sociedade. As técnicas enfatizam a parte material e artificial dos fenômenos humanos e é impossível dissociar o homem do material, assim como dos artifícios que utiliza para dar sentido ao mundo. Devemos pensar em tecnologia como produto da soceidade e da cultura e, por isso, “humana”.
O autor apóia a nomenclatura “técnicas”, no plural, devido aos múltiplos significados e usos que acarreta. A cibercultura pode favorecer a autonomia, a cognição, a competição econômica, a colaboração entre as pessoas, os Estados que pretendem ser potência e que são ou anseiam pela supremacia militar. É complicado analisar tudo isso, pois a extensão do ciberespaço não é estanque: continua crescendo aceleradamente. Ele traduz, acompanha e favorece a evolução da civilização, condicionando, mas não determinando, certas atitudes, pensamentos, comportamentos e, portanto, não é neutra. A sua rapidez causa um estranhamento a todos, em maior ou menor grau, pois parece vir do exterior, como se houvesse um “outro” ameaçando profissões, crenças, saberes. Por outro lado, quanto mais os processos de inteligência coletiva se desenvolvem, melhor é a assimilação e acomodação das normas técnicas e a troca de informações.
Porém, nem tudo são flores. Há aumento do isolamento; de amizades somente virtuais; de estresse pelo trabalho e pela comunicação diante da tela; da dependência pela Internet e pelos jogos virtuais; de dominação de algumas potências econômicas e tecnológicas como a Microsoft; de exploração, tanto de mão de obra dos países em desenvolvimento quanto às fraudes bancárias, à pedofilia. Também há o crescimento da “bobagem coletiva”, um acúmulo de dados sem qualquer informação útil e a tendência à exclusão das pessoas e serviços que ainda não compreenderam e se apropriaram da cibercultura.
Lendo esse texto, pensei na tese de Gary Marcus, psicólogo da Universidade de Nova York. Segundo ele, na era da Internet, o nosso problema não é que as crianças não acham as informações, mas sim que elas não conseguem analisá-las. Ele começaria com um curso de metacognição, aprendendo como se aprende.
A informação está toda a disposição, para quem quiser lê-la, mas a capacidade de discernimento e de decodificação das letras deve ser bem trabalhada. O professor pode servir de parceiro, de facilitador do entendimento, de provocador dos argumentos. SERÁ QUE O PROFESSOR DEVE APENAS ENSINAR A METACOGNIÇÃO, OU NEM OS PROFESSORES TEM ESSA FUNÇÃO DESENVOLVIDA?
Um comentário:
Para ensinar a metacognição o professor deve romper o dogma de que o docente é o dono de todo o saber, propondo-se a ser realmente um mediador, alguém que irá não “fornecer”, mas guiar o aluno na construção do conhecimento e incentivar a troca de informações entre ao alunos, estando disposto a também aprender ao logo do processo.
Postar um comentário